domingo, 22 de maio de 2011

Mala dos prazeres

Alguém diz:
- O que tens aí? Digo que tenho tudo.
- Como cabe nesse tamanho?
- Levo só tudo o que o peso mo deu.
               Tudo o que acumulei
                e talvez...
               de invencionices traças, desgostos, angústias.

- E não cansa? Não dói?
- Não.
               Levo tudo em amarelos calos.
- E o que tu ganha por carregar?
- Idade, tempo, bastos brancos
                amarelecidos.
- E o que tu levas?
- Eu, tu, o homem e os retratos coloridos.

- E agora aonde vais?
- Não importa,
                sou negro no mundo
                coloridamente branco.

por Shannya Lacerda
Natal, 21/05/2011.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Delícia de poesia



Gosto de zurubuservar as paisagens d'alma,
vasculhar pirilampos à noitinha,
divagar aresias e gotas de areia
em chão de fantasia.

Gosto de deglutir os plurais,
outonar figuras de nada e tudo,
espinafrar lagos plácidos,
em mar de devaneios.

Gosto de luares de sol,
do tempo que gira e não passa,
do vento que chia e chora,
do sorriso que ri e implora

por festejos
no chão da fantasia,
por alentos
num chão de fantasia.

por Shannya Lacerda

Natal, 11/05 de 2011.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Alvíssaras da arte

*tela de Roger Suraud, pintor francês


A arte é praticada por ela mesma.
Não há explicação.
Não há teoria.
Só há luz, vazão,
sintonias.
Palavras vazam dela mesma
e enxugam a cada orvalho
o delírio de se imaginar prosa
                   [em festejo debutante.
Não há explicação,
regogizo.
Não há teoria
– nem sorrisos falsos para o que não se goste.


por Shannya Lacerda
Natal, 29/04 de 2011.

segunda-feira, 25 de abril de 2011







Estou entre o abismo
do ser e do não ser;
meus pés, voadores,
se contemplam num chão
riscado a giz de ilusões,
marquises de esperanças
regidas por uma espécie
de semáforo a indicar com suas luzes
minhas feições, andando em corda
bamba, flutuante, samba:
cartazes de minha vida,
encenação do simulacro
– a que deve ser todas as metáforas
de vida sob o sintomático tempo.


por Shannya Lacerda
24/04/2011

domingo, 10 de abril de 2011

Aprendiz do ma (r) ve (r) gar



                Mar bravio, indômito mar.
                Mar cardeal, insular,
            Arrebata-me o fervor
                Quero te navegar
                Construir meus ais
                para que no cais possa
                         dizer-te como quero
                                             mar vergar
                                                       mar fundar
                                                                 mar entrar
                                                                        áh... calar!....

por Shannya Lacerda