sábado, 10 de março de 2012

Trama de Eros


Sem saber criar passos,
acabei criando folhas,
rasgando no meu peito espaços,
por onde o verbo entra
e em estardalhaços
imobiliza, aventura-se, recria emoções
– norte das ideias, sul da razão
   conjugada em lugar nenhum
   e abraçada por todos.

Sem saber, criei passos
perseguidos como folhas
deitadas sobre as lacunas do meu peito;
espaços de vai e vens
palavras se transformando,
para dizer a razão que fique,
quando todo o resto transborda
conjugado em lugar qualquer,
abraços, entrelaços, pelo fio da teia.

Teia de meus encantos, ideias e amores.
Teia que guia meus passos
e digere minhas próprias folhas
guardadas nos espaços escuros
de meu aberto peito.

por Shannya Lacerda
Natal, 02 de março de 2012.

quinta-feira, 8 de março de 2012

História pintada em branco (negro luto)




Saltar folguedos
amarrar bezerros
soltar novilho
moço bonito arrochando
[o cinto

Assar pedaços
comer e tomar pingas
correr atrás do prêmio
derrubar na faixa

Espinhos furando
carne na brasa assando
ficando ao gosto
– moços e sangue se misturando

Foi-se a vez
de contar história diferente
do boi ninar
Antes, sangue e maldade.
Depois, folgança,
comes e bebes para a festividade
– Para quem?  Para o que morreu ?

– continuação de culturas em que as almas são lavadas à sangue...



por Shannya Lacerda
Natal, 01 de março de 2012.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Lição para coração órfão



Tentei apanhar estrelas,
pensei que elas caíssem ao chão
e entrassem  nos teus olhos – pura ilusão.
No final do dia, tentei driblar a tempestade,
mas sem muita convicção, deixe-me abater.
Foi mais cruel do que pensei.

As estrelas voltaram a no céu brilhar
e eu, eu me despedacei.
Foi estreia de lua branca em sol de verão,
mas, mais que isso:
foi orfandade brincando em latifúndios...

by Shannya Lacerda
 Natal, 05 de março de 2012.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Para estar a sós...


Quando o hálito da brisa golpear teu rosto
sinta o doce prazer de estar-se a assomar
de um prazer íntimo como banho de mar
te induzindo ao prazer, o deleite de estar
a sós com você, sem que para isso ...
a areia te dê soquinhos
a fuligem te troque a cor
e as ideias percam o valor

......


por Shannya Lacerda

*Tela de Lauri Blank - Winter

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Pensar pelos outros, entender por si,



Que eu pense em mil palavras, mil coisas...
Só me lembro da boca seca
do batido oco em meu coração
anunciando um desfecho
[uma morte.
Sal e fel cavalgam, trotam
Olhos incham, labaredam
A luz se amortece
Calou o coração, gritou o desespero
Riscas de giz invadem pensamentos
aprisionando os bons, riscando os ruins
[mas sem nunca os deixar livres...
Mesmo dizendo não vá
O coração vai desfalecendo, virando pó
Morreu o poema, o artista e o nó
                                   [do calo dos dedos.

Até só restar palavras emocionadas – vagas?
E um poema mal entendido – de amor?
De memórias poéticas – ahhhhh....

por Shannya Lacerda
Natal, 24 de fevereiro de 2012.